Monday, August 31, 2009

Sonhos lúcidos em breves relatos



Olá a todos !

Como disse anteriormente, fiquei muito honrado com o convite de nosso amigo Richard Hermeticus para participar deste Blog - um novo Blog, mas que já nasce grande, em vista da qualidade das postagens e da seriedade de seus colaboradores !

Como primeira e tímida contribuição, vou transcrever 4 relatos (sumários), colhidos dentre os últimos sonhos lúcidos que tive.

Ao final, adicionei duas pequenas observações que julguei interessantes para os praticantes, pois tratam não apenas a uma ligeira mudança na estrutura onírica - que considero ainda mais importante que a popular interpretação dos sonhos - como também mencionam uma conexão entre práticas meditativas e os sonhos lúcidos.

Ambos os temas (ou seja, a estrutura e a conexão com a meditação) merecem uma atenta e demorada análise e, por isso, voltarei a eles muitas vezes em outras postagens.


Por volta do dia 17 ou 18/07/2009
(relato escrito bem depois, em 02/08/09)

Estava andando em uma rua e havia uma loja com bolinhas à venda, semelhantes a bolas-de-gude, porém maiores. Fiquei interessado em um a bolinha muito azul (que, posteriormente, me lembraria o TIGLE do Dzogchen) e que pulava muito e até voava. Quando consegui pegá-la, achei-a fascinante. Pouco depois, estava em um carro, no banco de trás, e um amigo dirigia, enquanto um outro passageiro, que não reconheci, encontrava-se ao seu lado. Paramos e saio do automóvel. Foi quando o sonho se torna lúcido. Muito eufórico com a lucidez, alcei vôo. Cantarolava uma valsa de Strauss e ria muito enquanto voava, como uma criança! Outro amigo aparece e começa a voar também. Dançamos juntos em pleno ar, enquanto dávamos muitas risadas com a incrível sensação de liberdade. Acabo acordando.

02/08/2009

Já havia acordado e dormido várias vezes. Como é Domingo, resolvi ficar na cama até conseguir um sonho lúcido.
Na última tentativa, o sonho começou não-lúcido.
Estava em um restaurante “fast-food” e um folheto sobre a mesa me chamou a atenção. Quando comecei a lê-lo, falava de algo espiritual, talvez fosse mesmo um texto kardecista (espírita).
Esse folheto era na verdade o verso de uma proposta ou recibo de uma empresa de mudanças que realmente existe no Brasil chamada “A Luzitânia”. Só que no verso, o título era algo como “GRAEL” ou “GREEL” (ou ainda “GRAAL”), não me lembro bem.
Quem estava sentado comigo achou estranho meu interesse por esse tipo de “literatura”, mas respondi que tudo o que caía em minhas mãos sobre esse assunto poderia ser valioso.
Após lê-lo e tentar explicar ao meu interlocutor seu conteúdo (viagens astrais ou algo assim), vi-me repentinamente transposto para uma sala com a Cláudia (uma colega do meu trabalho) ao lado e um grande espelho que ocupava toda uma parede. Foi como se a explicação que eu dava sobre o folheto produzisse um novo sonho, coisa aliás muito comum nessas situações.
Nesse novo cenário, percebi que estava sonhando (sonho lúcido) e, já consciente de tudo, olhei para o grande espelho que havia, percebendo que só havia um reflexo, o da Cláudia. Expliquei que no Sonho Lúcido, o reflexo da Cláudia era o único, pois evidentemente meu corpo de sonho não apareceria nele (evidentemente, isso nem sempre é assim, mas naquele sonho tudo me parecia bastante lógico).
Então me projetei para dentro do espelho, com a intenção de transformar o sonho lúcido em uma projeção astral (superação do cenário onírico).
O sonho desaparece e um forte barulho de vento - como uma grande ventania ! - toma meus ouvidos. Penso na Ivanise, na tentativa de encontrá-la (ou seja, tentativa de sonho compartilhado), pois não sabia que já era tão tarde (na vigília) e ela certamente já estaria acordada.
Mas só há escuridão e flutuação.
Mesmo assim, insisto e a flutuação e o barulho aumentam, mas sem produzir imagens.
Após bastante tempo, começo a sentir enjôo (provavelmente em razão da sensação de flutuação) e acabo decidindo interromper.

08/08/2009
Por volta das 04:00 hs

Estava semi-acordado, em meditação (meditação de relaxamento profundo - criação do observador profundo).
Começa o sonho.
Aparece um cenário, cenas urbanas. Porém parece que observo essas cenas por uma espécie de buraco, como se estivesse dentro de um túnel.
Estou lúcido e as imagens, desfocadas. Estou bem consciente e acho até curioso que as imagens estejam desfocadas, pois afinal não estou vendo com os olhos reais.
Concentro-me e as imagens tornam-se mais nítidas.
Finalmente “saio do túnel” e me encontro inteiramente inserido no “cenário”.
É uma cidade grande, pela manhã, muitas pessoas e automóveis andando. Não sei porque, mas acho que é nos EUA ou na Inglaterra (mais provável). Flutuo como se eu mesmo fosse um balão, à deriva, por cima de todos.
Involuntariamente, desço e me aproximo muito de um automóvel, quase encostando o nariz na porta, e os olhos na janela e vejo o motorista, que não percebe nada. Tudo é muito nítido, porém não há interação com os “personagens” ou habitantes da cidade, apenas estou ali, como um fantasma, observando enquanto flutuo.
Não tenho controle de meu corpo onírico, há apenas flutuação ao léu.
Começo a flutuar para cima, voando sobre a cidade.
Acordo.

17/08/2009
Por volta das 04:00 hs

Estava em meu quarto da casa em que morava quando era adolescente, porém, no sonho, era meu local de trabalho.
O Cardozo veio me dizer que “estava indo embora”. Interpretei que iria se aposentar. Ele disse que não, mas não deixava claro sua intenção. O diálogo torna-se confuso. Pela confusão, percebi que era um sonho (já havia, dias antes, percebido e tentado me programar para realizar esse tipo de reconhecimento, pois estados de confusão são freqüentes nos sonhos).
Estiquei o dedo na frente dele e o mesmo esticou como um elástico.
O Cardozo não ficou estático - como costumava acontecer com os personagens oníricos quando eu descobria que era um sonho - mas, ao contrário, ficou muito surpreso e impressionado.
Disse a ele que era um sonho e convidei-o a voar.
Atirei-me pela janela, atravessando o vidro, e precipitei-me no céu, que estava muito verde, maravilhoso !
Ele veio atrás de mim, voando também.
Dávamos muitas risadas e ele me perguntou quanto iria durar isso. Respondi que “enquanto durasse o sonho.” - Pensei comigo mesmo que se um de nós dois acordasse, iríamos sumir. Notei que não havia pessoas. Ele mesmo notou também. Então, vimos umas adolescentes e aproximamo-nos delas.
Acordei.



Algumas observações sobre os sonhos acima:

1) diferentemente do que ocorria em meus primeiros sonhos lúcidos, os personagens oníricos não mais sofrem do efeito “quebra de encanto”, no momento em que descubro tratar-se de um sonho. Até então, esses personagens ficavam estáticos como bonecos; às vezes com os olhos vidrados, às vezes borrados. Nos sonhos acima, ao contrário, os personagens continuaram interagindo, como se realmente fossem pessoas que também se surpreenderam com a lucidez onírica. Entretanto, não tive condições de checar se se trataram de sonhos compartilhados.

2)Creio ser muito importante salientar que a maioria dos sonhos lúcidos ocorreram após a prática da meditação de relaxamento profundo, pela qual procuro conservar-me lúcido no estado hipnagógico e, mais importante, por meio do desapego - relaxado e concentrado no "puro observar". Esse tipo de meditação relaxada e concentrada acaba por focar a energia na pura observação, sendo uma espécie de exercício de desapego profundo dos pensamentos, imagens e emoções que sobrevêm, sobretudo naquele estado hipnótico pré-sonho. Frise-se, aliás, que esse tipo de exercício pode ser praticado não apenas no estado hipnagógico, como também na vigília e, em especial, dentro do próprio sonho.

Novo contribuidor



Olá companheiros,
É com enorme felicidade que vos digo que o Pyr Hermetica tem um novo colaborador!
A maior parte de vocês já deve conhecê-lo de outras paragens: é o JHolland dos blogs Sonhos Lúcidos e Metamorficus.

Bem vindo, amigo!

Saturday, August 29, 2009

O método da imagem



Existem mais métodos de auto-sugestão de sonhos, para além do método descrito anteriormente. Hoje vou escrever algumas linhas sobre o denominado "método da imagem".
A principal diferença entre este método e o anterior é que necessitamos de uma fotografia do nosso objecto de sonho. A imagem deverá ficar na nossa mesa de cabeceira. Seguindo o mesmo procedimento do método anterior, devemos escrever no diário "Vou sonhar acerca de..." e ficar algum tempo a olhar para a imagem.
Deverá ser possível lembrarmo-nos da imagem com os olhos fechados. Depois de observar a imagem durante algum tempo, devemos desligar a luz e adormecer, enquanto tentamos lembrarnos mentalmente da imagem. É-nos dito que não devemos deixar discorrer os nossos pensamentos enquanto estivermos mentalmente a visualizar a imagem. O procedimento correcto é visualizar mentalmente a imagem enquanto travamos o caudal habitual de pensamentos. Este procedimento deverá ser executado sempre que acordarmos durante a noite.
Quando sonharmos com o conteudo da imagem, naturalmente fomos bem sucedidos com o exercicio. Devemos sempre lidar com o sucesso, fracasso e registo dos sonhos como descrito anteriormente.
No próximo post vamos por a imagem em movimento, explicando a técnica conhecida como “Visual Induction of Lucid Dreams”. Até lá!

Thursday, August 20, 2009

Auto-sugestão do tema dos sonhos



Depois de nos lembrarmos dos sonhos, com a ajuda do diário de sonhos, e exercendo alguma vontade com o Coueismo, chega a altura de começarmos a fazer exercicios de intensão de sonhos.
Relembro que o objectivo é desenvolvermos estas capacidades, pelo que os os posts de "aprendizagem" serão publicados semanalmente. Enquanto praticamos os métodos aqui descritos, vou publicando outras curiosidades sobre sonhos lúcidos. A Lumena também iniciará um sub tema, dando enfoque à importância da meditação nos sonhos lúcidos.
O primeiro método de auto-sugestão do tema dos sonhos é o mais básico. Enquanto não dominarmos a arte de indução do tema dos sonhos, é-nos dito que devemos escolher temas com os quais não estamos envolvidos emocionalmente. Mais uma vez, o diário dos sonhos é uma preciosa ajuda, uma vez que através da sua consulta podemos saber qual é o padrão dos nossos sonhos.
Na altura em que formos dormir deveremos escrever algo do tipo: "Vou sonhar com..." e dizemos o tema do sonho. Esta frase ficará na mesma página que usaremos para registar o que efectivamente sonhamos nessa noite. De seguida, podemos usar o nosso treino em Coueismo dizendo a nós próprios "consigo direccionar os meus sonhos".
Posteriormente, ao registarmos os sonhos devemos sublinhar a parte do relato que coincida com o tema escolhido por nós. Se ainda tivermos tempo para dormir e não tivermos sonhado com o que nos propusemos, devemos escrever novamente a frase "Vou sonhar com..." sublinhando o "Vou".
Se depois de uma noite de sono não conseguirmos sonhar com o tema escolhido, devemos registar no nosso diário o seguinte texto: "Decidi não sonhar com o tópico escolhido", ficando assim explicito que a responsabilidade e capacidade de indução de sonhos depende inteiramente de nós próprios.
Como eu próprio vou experimentar este método durante uma semana, só daqui a uns dias é que voltarei a publicar algo sobre métodos de sonhos lúcidos. Até lá, e como dito anteriormente, poderão surgir algumas curiosidades sobre sonhos lúcidos ou os posts da Lumena sobre a meditação. Como podem ver, têm mais do que motivos para ficarem por cá!

Até lá, convido-vos a partilharem as vossas experiências.

Wednesday, August 19, 2009

2º passo: a auto-sugestão ou Coueismo



Depois de criarmos um diário de sonhos é natural que nos apercebamos de que uma parte dos nossos sonhos são motivados por acontecimentos do nosso dia-a-dia. Depois de apercebermo-nos disso, é natural concluir que talvez seja possível darmos sugestões ao nosso inconsciente. Essa técnica, ou método, denomina-se de coueismo.
O coueismo é um método de converter desejos em sugestões inconscientes. O seu criador, Emile Coue, definiou os seus principios fundamentais:
1º reescrever o desejo como se estivessemos a descrever uma situação positiva no presente. Exemplo: "Eu quero ter sonhos lúcidos" passa a ser "Eu tenho sonhos lúcidos". É importante nunca formular frases com termos de negação, exemplo: "Eu não vou acordar caso aperceba-me que estou a sonhar".
2º Depois de escolhermos a ideia no 1º passo, devemos repeti-la 20 vezes quando sentirmos que estamos a adormecer. Deverá ser depois repetida no momento em que acabamos de acordar.
Estes dois momentos do dia são importantes visto estarmos numa espécie de estado hipnótico. O momento de adormecer é identico ao do transe hipnótico: as faculdades racionais e criticas da mente estão suspensas, deixando o inconsciente particularmente receptivo a sugestões.
Ao contrário da mente consciente, o inconsciente não trabalha com nenhuma linguagem pelo que não devemos usar termos com vários significados nas nossas auto-sugestões.
Em artigos posteriores, voltaremos a este tema para desenvolvê-lo. Mais uma vez relembro que alguns dos artigos publicados neste blog têm como base a obra Lucid Dreaming de VH Frater Justificatus e têm como objectivo a aplicação prática dos conhecimentos.

Se tiverem experiencias interessantes relacionadas com o tema deste artigo, não hesitem em publicá-las cá na forma de comentários.

Tuesday, August 18, 2009

1º Passo: Criação de diário de sonhos



Em bastante bibliografia é dito que o primeiro passo para obter sonhos lúcidos é a recordação dos próprios sonhos. Para isso, deverá ser criado um diário de sonhos. Poderá ser um caderno normal e uma caneta, e deverá estar ao alcance dos braços a partir da posição normal de sono.
Antes de entrar no estado de sono, sugerimos a nós próprios que quando acordarmos, a primeira coisa que iremos fazer é escrever os nossos sonhos. Ao principio é bastante complicado de escrevermos seja lá o que for quando acordamos, mas com o hábito torna-se mais fácil. Passado pouco tempo, entusiasmados com o facto de lembrar-mo-nos cada vez de mais sonhos e de forma mais detalhada, talvez não seja improvavel se começarmos a programar o despertador duas horas mais cedo só para registar sonhos ainda em maior quantidade. Esse hábito comigo resulta particularmente bem porque faz-me lembrar dos sonhos que tive até ao despertador tocar e, quando acordo à hora normal, ainda consigo registar mais sonhos. Rapidamente a motivação de aumentar as nossas memórias oniricas supera a preguiça de dormirmos seguido. Dizem-nos que está é precisamente a disciplina que necessitamos para nos tornarmos sonhadores lúcidos.
Mesmo que nos lembremos de pouquissimos detalhes ao acordar, deveremos sempre escrevê-los. Tornar-se-á mais do que normal que, há medida que formos escrevendo, todo o sonho desenrolar-se-á novamente à nossa frente. Se não formos capazes de nos lembrarmos de nada, deveremos escrever no papel "Hoje escolhi não recordar-me dos meus sonhos". Esta frase ajudará a afirmar que a responsabilidade de não nos termos lembrado dos sonhos é inteiramente nossa, o que é absolutamente verdade.
Mentalmente falando, penso que é importante que os sonhos de cada noite deverão ser registados em folhas diferentes. Aqui o importante não é tentar interpretar os sonhos, mas sim apenas registá-los por forma a aumentarmos a nossa capacidade de memória dos sonhos. Será mais do que natural que, com o passar dos dias, as memórias dos sonhos serão iguais às obtidas na "vida acordada", o que fará com que a nossa consciencia vá dando mais realidade ao mundo onirico. Dito de outra forma, o nosso "eu" consciente começa a fundir-se com o inconsciente.
Por ultimo, podemos ler os sonhos do dia anterior - em qualquer altura do dia - e veremos como continuam vividos na nossa mente. Pessoalmente acho que o registo dos sonhos também ajuda-nos bastante a perceber com o que sonhamos e, em ultima instancia, a perceber o que está no nosso inconsciente (pelo menos no inconsciente mais imediato).
O diário de sonhos terá utilidades acrescidas, como veremos em posts futuros.

Saturday, August 15, 2009

Os três degraus até à lucidez



Como todos os leitores atentos deste blog sabem, existe um fio condutor nos artigos, bem para lá do tema dos posts. Sendo assim, hoje vou fazer o post seguinte ao artigo em que falei sobre algumas questões introdutórias do tema em questão.

Embora alguns de nós tenhamos mais facilidade do que outros para sonhar lucidamente, sem grandes treinos, a verdade é que todos nós podemos ter sonhos lúcidos. Os sonhos lúcidos são atingíveis mediante uma forte motivação e um conjunto bem definido de técnicas. Podemos dizer que os métodos para atingir a lucidez nos sonhos seguem um modelo conceptual dividido em três partes:

A recordação dos sonhos é um método para aumentar a presença e a memória nos sonhos. As pessoas que não se recordam dos seus sonhos ou até aquelas que acordam apenas para se esquecerem que estiveram a dormir, não darão bons sonhadores lucidos. É, portanto, necessário disciplinar a nossa mente para ficar mais desperta nos nossos sonhos. Com persistência, a memória dos sonhos aumenta drásticamente logo após algumas noites de treino.

A segunda parte do modelo conceptual é a auto-sugestão dos sonhos que consiste em decidirmos qual será o tema dos sonhos. A auto-sugestão é fundamental para aqueles que queiram fazer trabalhos especificos nos sonhos, como sendo a cura interior. Poderá também ser usado, como veremos num post mais à frente, como técnica de despertar no sonho.

A ultima parte, e objectivo ultimo, é a própria lucidez. É dificil manter o estado de lucidez ou evitar acordar. Para isso, deveremos ter em conta uma série de técnicas que nos permitirão manter o estado de lucidez.

Os posts seguintes, dentro deste tema em concreto, abordarão em pormenor estas várias etapas, expondo técnicas e alguns relatos. Lembrem-se sempre que não existem impossíveis. Existem sim impossibilitados.