Wednesday, December 9, 2009

Inner World: o mundo dos palhaços



Olá a todos,
Como temos vindo a explorar na secção subordinada ao temaDMT, existe todo um mundo interior à espera de ser explorado. Embora os proximos posts sejam acerca de experiências pessoais, o verdadeiro "cair do véu" dá-se quando as questões do ego são postas de lado. Para isso, há que recorrer a todo um processo de cura interior através da presençã, da meditação, do trabalho no mundo onirico ou sob o efeito de substancias psicadélicas.
Há já alguns meses que tenho dedicado-me inteiramente a explorar estes mundos mentais da melhor forma que consigo: lendo, meditando e experimentando. Isso levou-me a uma profunda instrospecção que foi a principal causa para ter deixado o blog a "meio gás". Mas, chegou a altura de partilhar convosco alguns relatos e, futuramente, meditações sobre o tema.
Apenas recapitulando o que foi dito anteriormente, as visões em estados alterados de consciencia começam com a visualização de padrões geométricos e cores "psicadélicas". É interessante o facto dos relatos apontaram para algo muito identico à cultura Maia, Islamica e Asteca, portanto, talvez as representações usadas nestas culturas sejam mais literais do que normalmente pensaríamos.
As visualizações de condutas, túneis, estadas e espirais também são comuns. Algumas das visualizações que mais me intrigaram foram as das espirais de ADN. Passei semanas a investigar sobre este tópico em particular e penso ter chegado a algumas conclusões. Passados esses véus, os relatos apontam para o contacto com seres incorpóreos, invísiveis ou espirituais. Alguns deles são amigaveis, outros nem por isso. E é precisamente aqui que vão começar as transcrições de alguns relatos que li.




"Algo parece ter-me agarrado pela mão e ter dito:
"Vamos!". De seguida, comecei a voar pelo que parecia ser um ambiente de circo. Nunca tinha estado fora do meu corpo anteriormente. Senti-me percorrer um labirinto a uma velocidade enorme. Depois, deparei-me num espetaculo de circo bastante extravagante.
Era tudo muito engraçado. Pareciam ser todos Jokers e estavam a actuar para mim. Eram engraçados: tinham sinos nos chapeus e grandes narizes. Contudo, tive a sensação que poderiam virar-se contra mim, algo não tão amigável."


De acordo com os relatos expostos no livro "DMT - The Spirit Molecule", o tema do circo é bastante recorrente. Várias pessoas, com culturas diferentes, relataram basicamente a mesma coisa. Isto leva-nos a pensar se realmente se trataria de uma experiência pessoal.

Monday, December 7, 2009

A terra das duas Luas



Olá a todos,
Mais uma vez vou deixar-vos com um relato de um sonho lúcido, bastante diferente do anterior.
Ontem à noite tive uma conversa com o meu irmão sobre estados alterados de consciência, hipnoze, sonhos lúcidos, etc, o que prédispos-me para as aventuras oniricas. Ao contrário do que é comum, detive-me mais de uma hora no estado hipnogágico mas sobre isso talvez escreva outro post, já que encontrei muitas semelhanças com alguns estados intermédios de outras aventuras.
O sonho lúcido ocorreu na noite de ontem para hoje, por volta das 9:30 da manhã, estando a dormir há cerca de 7 horas. Começou como um sonho normal. Ia a casa de um colega chamá-lo quando reparei que estava num momento do dia particularmente belo: o Sol estava a por-se e a Lua Cheia a aparecer. Detive-me a ver este momento. Apesar de ainda ter de estar dia, a verdade é que já era noite profunda, mas esse pormenor não me chamou a atenção. Quando o Sol pôs-se, surgiram multiplos arco-iris, que cobriram todo o céu. Como nunca tinha visto mais do que um duplo arco-iris, pensei tratar-se de uma ilusão óptica e, ao fechar e abrir novamente os olhos, o cenário mudou drasticamente: os arco-iris desapareceram e o céu voltou a ficar azul, com "carreiras" de nuvens nos locais onde existiam os arco-iris. Esta mudança drastica do cenário também não foi o suficiente para "despertar".



Nisto começo novamente a dirigir-me para a casa do meu colega, quando todo o cenário voltou a escurecer e apareceu uma segunda Lua. Olhei para trás e confirmei que o Sol já tinha desaparecido, estando as duas Luas uma ao lado da outra. Achei estranho e quando observei melhor a segunda Lua, vi que tinha uma cara desenhada! Pensei: "Isto tem de ser um sonho!" (nota: não tinha a certeza. deduzi que fosse um sonho). Sendo assim, dei um salto. O salto levou-me bem mais alto do que o normal e logo aproveitei (fazendo esforço mental) para voar. Quando comecei a voar dei por mim a gritar de entusiasmo e decidi explorar de perto daquela segunda Lua.
Ao entrar no Hiper-Espaço senti como se tivesse rompido uma membrana. Instalou-se um silêncio total e fiquei com falta de ar. Depois pensei que se estava a sonhar, não precisava de respirar. Observei a Lua com maior detalhe, já no Hiper-Espaço. Embora já não sentisse necessidade de respirar, sabia que não estava a fazê-lo.
Por fim, seguiu-se o habitual desejo de ir para o Egipto. Lembro-me perfeitamente de pensar: "se isto é um sonho, consigo ir para o Egipto". Neste instante comecei a sobrevoar as piramides mas rapidamente voltei ao sono normal. Embora me recorde perfeitamente do sonho que tive a seguir, já não foi lúcido.



A discussão pode ser seguida aqui.

Saturday, December 5, 2009

Os vários tipos de experiências



Olá a todos.
O tema do artigo de hoje servirá de base para os que se seguem, tentando estruturar o tipo de experiências em estados alterados de consciência em três: experiências pessoais, transpessoais e misticas. Uma definição rápida de estado alterado de consciência poderá ser a a sabedoria adquirida através de um estado directo-intuitivo-não local ao contrário do comum percepção-cognitivo-local.
A primeira das três categorias, denominada de pessoal, são experiências em que as pessoas lidam antes de mais com as suas próprias vidas, histórias, circunstâncias e sentimentos, quer sejam eles conscientes ou inconscientes. Normalmente este tipo de sessões resultam num maior estado de presença e na aceitação de problemas pessoais considerados dificeis de resolver.
Por sua vez, as experiências transpessoais são sessões para lá dos limites da experiencia de vida a pessoa, mas ainda continuam a manifestar-se dentro de uma "esfera" particular. Embora sejam experiências mais intensas, continuam de certa forma a fazer parte de algum tipo de experiências do individuo. As experiências misticas ou de quase-morte são normalmente enquadradas dentro desta categoria.
Por fim, os mundos invisiveis manifestam-se nas experiências misticas. Estes encontros com realidades que aparentam ser independentes e autónomas e que coexistem com a nossa realidade. Por vezes, estes reinos aparentam ser habituados por seres alianisnas, que estão mais ou menos conhecedores dos viajantes (nós) e que comummente interagem connosco.
Normalmente as sessões são uma mistura de mais do que uma categoria de experiências. Uma experiência mistica ou uma experiência-quase-morte pode ser precedida por encontros com outros seres. Uma experiência emocionalmente profunda, psicológicamente curativa, pode levar a uma experiência mistica ou a insights espirituais.

Sunday, November 29, 2009

Philosophia Perennis



A visão tida por grande parte dos teologos, antigos místicos e filosofos espirituais de várias épocas é chamada de Filosofia Perene. É perene porque contém pensamentos profundos e atemporais sobre a vida e a natureza, culturas, e fora ensinada pelos maiores pensadores de todos os tempos. Quatro máximas cruciais acerca da realidade e da natureza humana estão no centro da sabedoria perene:
1- Existem dois reinos da realidade. O mundo físico ou fenoménico não é a unica realidade; outro reino, imaterial, existe, e os dois constituem a realidade ultima.
2- Todos os seres humanos existem nestes dois reinos e reflectem dos dois lados da realidade.
3- Os seres humanos possuem a capacidade, embora não usada e por conseguinte atrofiada, de percepcionar a realidade imaterial.
4- Os seres humanos conseguem reconhecer a sua centelha divina (Atman) e o sólo sagradado (Brahman) que é a Fonte. Esta percepção é o ultimo objectivo (iluminação mística), e a sua busca é o bem maior (vida sagrada) da existência humana. Todos os grandes mensageiros espirituais e os mestres do misticismo declararam a uma só voz que o propósito da Humanidade é a reunião com o seu princípo divino.
Os ensinamentos da Filosofia Perene sugerem que o cosmos não só está interconectado e pulsando de vida, como é multidimensional. O universo físico não é o unico domínio; para lá da sua complexa hierarquia, está o reino sublime do espírito, que para a nossa cultura contemporanea fora apelidado de consciência. O reino espiritual não pode ser conhecido através dos sentidos físicos e não pode ser medido por instrumentos científicos. De acordo com os seguidores desta filosofia, podemos aproximar-nos do reino espiritual através da meditação, dos rituais, e através de uma vida sagrada. Mais ainda, a Filosofia Perene afirma que a nossa verdadeira natureza é espiritual. Somos fundamentalmente criaturas (e criadores) desse reino.
Os artigos que se seguem são enxertos da consciência desse reino imaterial. São relatos que farão abanar os alicerces das estruturas mentais de todos aqueles que tentam buscar resposta para as perguntas mais profundas da vida: de onde venho, quem sou, para onde vou...

Wednesday, November 18, 2009

Tributo a Pablo Amaringo




O pintor e xamane Pablo Amaringo partiu para outros reinos.
Fica o tributo àquele que dedicou a sua vida aos outros e que, através das suas pinturas, permitiu que tenhamos um vislumbre do que são as dimensões da realidade que são acedidas nas sessões de Ayahuasca.


(Mental Abilities)




(Machaco Runa)




(Spiritual Temples)




(Aralim)




(Heart of the Cosmic Serpent)

Tuesday, November 17, 2009

Uma viagem para outras Terras...



Olá a todos, vou relatar-vos um sonho lúcido que tive nesta ultima noite. Poderá ser interessante visto ser substancialmente diferente dos anteriores. O sonho lúcido surgiu devido a um reality check num sonho normal que já estava particularmente longo.
Estava a sonhar que conversava com algumas pessoas enquanto almoçava. Subitamente o empregado do restaurante retirou três facas e dois garfos da minha "parte" da mesa, então pensei: "se só deixou ficar cá o garfo (e não também uma faca), então é porque estou a sonhar..." Agora recordando o sonho, é engraçado como a constante mudança das mesas e até (a mudança) do rosto das pessoas não fez-me suspeitar que se tratava de um sonho; talvez porque estivesse demasiado focado na conversa, visto que, na "vida real" preciso de ter essa mesma conversa.
Nisto, toda a percepção sensorial que tinha no sonho começou a desvanecer. Vi-me num sitio absolutamente escuro com uma imensidão de pontos luminosos e a sensação de o meu corpo estar a arder (mas sem dor), algo muito semelhante a outras aventuras. Logo de seguida, os poucos luminosos desapareceram apenas no centro da minha visão, originando um circulo perfeitamente escuro. Sem nunca perder a consciencia, foquei-me nesse centro escuro e pensei: "eu sou este ponto". Ao dizer isso, o ponto ganhou uma terceira dimensão e criou-se uma espiral ou vácuo. Sem medo, e sabendo o que me esperava, projectei-me mentalmente para esse vácuo. A escuridão deu lugar a uma imensidão de cores psicadélicas e foi aí que pensei: "quero ir para o Egipto", mas o esforço não resultou em nada.



Isso fez-me perceber que não era eu que controlava a experiência e entreguei-me a ela. De repente, e sem esforço, vi um céu azul que de repente se tornou num cenário completo e perfeitamente real.
O cenário consistia numa cidade com prédios enormíssimos e, pelo aspecto bastante diferente dos nossos, eram altamente tecnológicos. Dei por mim montado numa aranha mecanica (ou era eu próprio a aranha mecanica) na face lateral de um dos prédios.



Esta experiência foi tão intensa que fez-me chorar de alegria. Passados momentos decidi voltar para trás. Senti a realidade desaparecer aos poucos, voltei a entrar no tunel e, sem esforço, cai no sonho normal.

Saturday, November 14, 2009

DMT: Levantando o Véu de Maya



Bem vindos àquele que é o 5º artigo sobre DMT. Este post será uma continuação directa do anterior.
Um dos aspectos mais intrigantes dos relatos das experiências de DMT é a visão das espirais de DNA e a sensação de estarem a ver os tecidos moleculares. Como o tamanho só existe por comparação(1), não seria de todo descabido equacionar o cenário de uma transferência de consciencia para um "nível" molecular, percepcionando-o como um universo completo. Como veremos de seguida, os relatos apontam para a existência de seres inteligentes nestes planos interiores.
Em praticamente todas as doses altas (a partir dos 0,2 mg/Kg) são relatadas experiências com seres alienisnas. Estes seres são descritos como sendo uma mistura de homens com abelhas, crocodilos, aranhas ou répteis. Tentam comunicar connosco tanto por linguagem, por gestos, por figuras e cores ou ainda directamente por sentimentos ou intuição. Existem ainda relatos em que esses seres tentam comunicar connosco através de equipamentos tecnológicos avançados.



A nível sonoro, os relatos também são interessantes. A maior parte das pessoas que submeteu-se ao estudo relatou que durante o efeito do DMT ouviu barulhos estridentes, choramingos e zumbidos, estilhaços, etc. Uma minoria afirma ter ouvido vozes ou musica. É bastante comum, principalmente nos relatos de Ayahuasca ou Salvia Divinorum, ouvirem-se vozes a dizerem-nos coisas como "não tenhas medo...", "deixa-te ir...".





Como já referi num artigo anterior, toda a pesquisa feita pelo Rick Strass teve como voluntários individuos com historial em substancias psicadélicas. Em parte, o objectivo era que as pessoas estivessem mais à vontade nas experiências, de preferência sem entrarem em pânico devido à mudança brutal de nível mental. Por outro lado, seria assim possível comparar os efeitos do DMT com substancias halucinogénicas.
É importante referir que em todos os depoimentos é dito que a experiência com DMT é radicalmente diferente das obtidas com LSD, cogumelos mágicos, etc. Ao contrário de em todas estas substâncias halucinogénicas, os voluntários dizem não ter perdido a consciência, a capacidade de focar-se em detalhes, a lucidez, e não tiveram a sensação de intoxicação inerente ao uso das outras drogas. Para finalizar o post, queria realçar ainda outro factor comum em todas as experiências, que foi a sensação de "more real than real", isto é, as experiências obtidas sob o efeito do DMT foram consideradas mais reais do que a realidade do dia-a-dia.


(1) Um átomo é, em si, grande ou pequeno? Só podemos dizer que é grande ou pequeno comparando-o com outra coisa qualquer. Se pararmos para pensar, um atómo até é bastante parecido com um sistema solar, mas isso é outra conversa...